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Universos da Arte Universos da Arte - Editora Campus, RJ, lançado em 1983, 400 páginas, mais de 300 ilustrações. Sinopse Didático, analítico e também contemplativo, este texto representa uma contribuição original para a compreensão da arte. Procedendo em vários níveis, a autora expõe os princípios fundamentais de composição ao mesmo tempo em que relata uma experiência fascinante: a de um curso teórico ministrado a operários de uma fábrica, transcrevendo diálogos e questionamentos que surgiram nas aulas. Além disso, numa visão global da arte como experiência de vida, ela examina os significados do trabalho artístico. Apresentando dados biográficos de artistas e uma análise crítica de suas obras (fartamente ilustradas) - e usando como critérios objetivos os próprios princípios da linguagem visual - ela mostra como nas obras se revela claramente o crescimento da personalidade do artista, sua figura humana. Através da leitura deste livro somos levados a entender o quanto a arte amplia nossa sensibilidade e nossa consciência. Das mais de 300 ilustrações que acompanham o texto, 118 são desenhos que exemplificam os conceitos de composição e 188 reproduções (37 em cores) de obras datando desde a Pré-História até os dias de hoje. Todas as ilustrações são acompanhadas de análises da estrutura espacial da imagem, demonstrando as correspondências que existem entre essas estruturas e o seu conteúdo expressivo. Editora Campus Universos da Arte Prefácio Há cerca de 11 anos, recebi um convite surpreendente: ministrar um curso de arte para os operários de uma fábrica.1 Além de insólito, o convite não deixava de ser algo inquietante. Dadas as circunstâncias da época, não faltavam motivos de preocupação, sobretudo com eventuais interpretações que pudessem surgir em torno de tal empreendimento. Mas acabei aceitando o convite e durante sete meses dei um curso sobre os princípios básicos da linguagem visual e de análise crítica. Tornou-se uma experiência extraordinária para mim, experiência pedagógica e também humana. Ao comentá-la com amigos, percebi que havia grande interesse em saber da abordagem que eu encontrara para explicar, de modo acessível, um tema aparentemente tão pouco suscetível de divulgação popular como as estruturas de espaço nas obras de arte em relação à expressividade. Prometi que um dia escreveria sobre o assunto. Como mostrarei mais detalhadamente nos próximos capítulos (I e II), pensei interligar as explicações teóricas a exercícios práticos feitos em aula, imaginando experimentos que introduzissem de maneira muito natural certos aspectos da percepção do espaço. Além disso, resolvi acompanhar cada explicação teórica com análises de obras de arte e ainda com dados sobre os artistas e as épocas abordadas, a fim de a teoria não se resumir a conceituações secas e sim revelar o dinamismo da própria vida. Estabeleci uma determinada seqüência de problemas, desdobrando-os do simples ao complexo (sem perder de vista que a complexidade já existe no mais “simples”). Em cada aula procurei retomar, de alguma maneira, os conhecimentos já ganhos sobre a linguagem artística, ampliando e enriquecendo-os, por vezes analisando a mesma obra seguidamente sob diversos ângulos. (...) Leia o texto na íntegraUniversos da Arte Introdução Parte 1 I - Encaminhamento Didático Por interessante que achasse a proposta de lecionar aos operários, hesitei longo tempo em aceitar o convite. Pensando sobre as possíveis maneiras de abordar o assunto arte, veio-me toda sorte de escrúpulos e dúvidas, chegando a questionar até mesmo o sentido de um curso destes. Como colocar-me diante dos operários a discursar sobre valores espirituais, quando sabia perfeitamente que, para a maioria, a grande e exaustiva tarefa continuava a ser a sobrevivência material? Não seria descaso de minha parte ignorar ou fingir ignorar isto? Diante de problemas de tamanha urgência, a própria sensibilidade pode parecer um aspecto irrelevante da vida. Mas, então, como discutir arte? Como os operários me receberiam? Como alguém, uma “dona” que não tinha nada de melhor a fazer? E independentemente do tratamento que me dispensassem, levariam o trabalho artístico a sério? Ou veriam nele apenas um passatempo, um capricho a que as pessoas se entregam de acordo com suas inclinações, mas que no fundo não faz falta a ninguém, uma atividade portanto perfeitamente dispensável? A bem da verdade, fosse este o caso, tal atitude não seria exclusiva dos operários. É comum encontrá-la em outras áreas sociais também, não excetuando as pessoas instruídas. Em nossa sociedade, a posição diante do fenômeno artístico é, no mínimo, ambivalente, quando não bastante contraditória. Por um lado reconhece-se a obra de arte, produto do fazer artístico, como algo valioso em termos financeiros; por outro, o fazer artístico em si é considerado inútil, mera diversão ou lazer, terapia talvez, mas nunca trabalho,1 no sentido de uma produtividade responsável e engajada e, menos ainda, no sentido da realização de uma necessidade social. (...) Leia o texto na íntegra |