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A Sensibilidade do Intelecto - Prêmio Literário Jabuti, 1999 A Sensibilidade do Intelecto - Editora Campus , RJ, lançado em 1998, 328 páginas, 140 ilustrações. Aguarde a próxima edição por uma nova editora! Sinopse Sobre este livro, que ganhou o Prêmio Literário Jabuti, em 1999, Leandro Konder, escritor e filósofo, escreveu: "Neste livro Fayga Ostrower se debruça, com paciência, sobre alguns dos problemas mais complexos e mais importantes da estética. Evita, contudo, qualquer pernosticismo: discorre, em linguagem clara, acessível, sobre a beleza, a interdependência entre razão e sensibilidade, a relação tensa e fecunda entre forma e matéria. Examina com incansável atenção o modo inevitavelmente ativo e seletivo que os seres humanos têm de perceber a realidade, o contexto em que se encontram: antes da percepção, os sujeitos humanos já estão predispostos a interpretar as impressões que lhes chegam de acordo com certas conveniências vitais. A percepção, como ensinam os teóricos da Gestalt, é uma síntese. E não é 'neutra'. Fayga nos convida a refletir sobre o fato de estarmos sempre construindo e reconstruindo imagens globais em nossas mentes, num 'jogo' cujas regras estão constantemente mudando. Fayga nos adverte que: os momentos em que conseguimos comunicar algo significativo sobre o nosso encontro com a 'beleza essencial' são momentos gloriosos. 'Sentimo-nos vivos, inteiramente vivos, e ainda participando de uma Humanidade Maior'". A Sensibilidade do Intelecto - Prêmio Literário Jabuti, 1999 Prefácio Assim como uma pedra jogada na água torna-se o centro e causa de muitos círculos, e o som se difunde no ar em círculos crescentes, assim também qualquer objeto que for colocado na atmosfera luminosa propaga-se em círculos e preenche os espaços em sua volta com infinitas imagens de si, reaparecendo com todas e em cada uma de suas múltiplas partes. Leonardo da Vinci "Quando encontrei esta belíssima imagem, de Leonardo da Vinci, eu soube de repente qual poderia ser a forma deste livro. Há tempos, vinha estudando a questão de certas visões paralelas de espaço-e-tempo, que vejo existirem na arte e na ciência. A idéia me fascinava, e quanto mais pensava nela e a expunha a outras pessoas, mas ela se aprofundava, se enriquecia e ganhava novos contornos. Trata-se de correspondências bastante significativas,e evidentes, tanto nas perguntas feitas sobre a vida e o mundo, quanto nas respostas que se tornaram possíveis em determinadas épocas, e que se manifestam através das formas que então foram criadas". Entretanto, ao me dar conta da imensidade e da abrangência desta temática, recuei. Ela envolvia uma série de problema, que se desdobravam mais e mais, quase colocando-me diante da tarefa de ter que redigir uma espécie de filosofia da arte, acompanhada por outra ciência - empreendimento este, de ordem enciclopédica, e obviamente fora de minhas possibilidades. De fato, estive a ponto de abandonar o projeto deste livro. No fundo, porém, o meu interesse nem era poder expor uma seqüência cronológica da criação artística ou científica senão focalizar certos períodos críticos, nos quais se transformaram as idéias e a própria visão de mundo.Nestes períodos podemos observar o surgimento de determinadas questões e enfoques análogos, ocorrendo simultaneamente nas formas expressivas da arte e da ciência(...) Fayga Ostrower Leia o texto na íntegraA Sensibilidade do Intelecto - Prêmio Literário Jabuti, 1999 I - Do Impressionismo ao Cubismo Às vezes ocorrem situações na vida que, em si, nada têm de excepcional ou de muito importante. Mas, relembradas tempos depois numa visão retrospectiva, se revelam ter sido momentos significativos, momentos de insight, de um vislumbre de novas possibilidades. É como se uma faísca iluminasse de repente um novo rumo de reflexões. Pois foi justamente assim, num encontro casual e numa conversa sobre artistas e problemas artísticos, que me vieram as primeiras idéias - ampliadas e aprofundadas no decorrer dos anos -, que constituiriam, finalmente a abordagem e os temas principais deste livro. Há cerca de vinte anos, eu lecionava nos Estados Unidos. Havia terminado de lecionar por um semestre numa faculdade de Atlanta, quando recebi o convite da Universidade de Filadélfia para participar de um congresso sobre o tema "Ensino superior nas universidades americanas". Acabou sendo uma semana bastante interessante que superou minhas expectativas. As manhãs eram dedicadas a programas acadêmicos, palestras, debates, ao passo que as tardes ficavam livres para eventos sociais. Certo dia estava eu almoçando na cantina, quando sentou a meu lado um cavalheiro, já meio grisalho. Ele olhou para o meu crachá - o que em congressos, parece constituir uma espécie de ato-reflexo automático - e, em seguida, olhou para mim e, muito admirado, perguntou: - Você vem do Brasil? |