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Goya, Artista Revolucionário e Humanista Goya, Artista Revolucionário e Humanista - Editora Imaginário, SP, lançado em 1997, 79 páginas, 35 ilustrações. Sinopse Através das imagens que Goya produziu ao longo de sua vida ilumina-se o caminho de seu desenvolvimento como homem e artista, revelando sua lucidez e paixão, ele nos expõe as complexas e terríveis contradições que existem em nós e o senso trágico do viver. Mas ao mesmo tempo também nos mostra a grande beleza da sensibilidade e da consciência no ser humano, capaz de reconhecer estas contradições e de compreendê-las - e mais: capaz, mesmo em face delas, de criar. Criar novas formas de arte. Elas representam mundos internos e, como tais, novas realidades humanas e novas dimensões de nossa existência. Fayga Ostrower Editora Imaginário Goya, Artista Revolucionário e Humanista Trecho do livro Goya, Artista Revolucionário e Humanista Na edição de 6 de fevereiro de 1799, o jornal Diario de Madrid publicou uma nota, da autoria de Goya, oferecendo ao público um ciclo de 80 gravuras intitulado Los Caprichos: "...collección de estampas de assuntos caprichosos, inventadas y grabadas al aguafuerte por Don Francisco Goya... ". Estas gravuras devem ter provocado um verdadeiro escândalo, já que após duas semanas o anúncio deixou de sair no jornal e as gravuras foram retiradas do mercado. Sofrendo fortes pressões oficiais, e também receoso de ser citado perante o tribunal da Inquisição - e não é nada difícil imaginar que tipo de acusações e ameaças ele teria então de enfrentar - Goya viu-se obrigado a entregar ao Rei (a "presentear", no linguajar oficial) as matrizes originais das gravuras, além dos 260 exemplares da primeira edição já impressa (27 haviam sido vendidos). Desta maneira, as matrizes de Los Caprichos foram incorporadas ao acervo da Real Calcografia, em Madri, onde até hoje se encontram. Anos mais tarde, na velhice, e já no exílio na França, Goya comenta amargamente em carta escrita a um amigo: "... Los Caprichos, los cedi al Rey ha más de veinte anos... y con todo eso me acusaron a la Santa..." (os Caprichos, tive de cedê-los ao Rei, e mesmo assim me acusaram na Santa [Inquisição]). Evidentemente, por parte das autoridades no poder havia razões de sobra para tais pressões. Ao contrário do que hoje se quer fazer crer, as gravuras de Goya não eram nada incompreensíveis para os seus contemporâneos. Todos, tanto as autoridades como o público em geral, vivenciando a realidade do dia-a-dia, sabiam perfeitamente do que Goya estava falando e o que estava dizendo. Talvez nem todos soubessem avaliar a grandeza da criação artística presente nestas gravuras, cujas formas e cujo conteúdo expressivo ampliariam as fronteiras da sensibilidade e entrariam em novos universos da psique humana. Mas certamente, no nível narrativo das cenas representadas, com suas ênfases afetivas e as alusões críticas, sociais e políticas, as imagens foram imediatamente entendidas por todos. Goya estava tocando numa ferida viva. Era perigoso. Sua obra representava uma ameaça à tranqüilidade das pessoas e, portanto, à segurança pública. Ele era um subversivo. (...) Leia outros trechos |