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Fayga Ostrower Fayga Ostrower. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2001. 194 p, 112 ilustrações. Apresentamos a biografia de Fayga Ostrower, com textos de Wilson Coutinho e Lilia Sampaio. Selecionamos um trecho da Apresentação escrita por Carlos Martins, que foi o organizador desta publicação: "Este livro é uma homenagem a Fayga Ostrower e aos 60 anos de seu trabalho obstinado. Um trabalho que é uma contribuição indiscutível ao desenvolvimento e à reflexão das artes no Brasil. Suas gravuras, desenhos e aquarelas ampliaram as possibilidades do fazer artístico. Fayga está na gênese do abstracionismo no país; um de seus grandes méritos foi o de propor-se ousadamente, no início dos anos 50, a uma prática em que as "estruturas de espaço" e "problemas de forma" eram mais importantes do que a figura, até então um dogma na arte brasileira. Atuou também como educadora, sendo constantemente solicitada para cursos, palestras e conferências. Por vários anos, lecionou teoria da arte, e suas preocupações nessa área do conhecimento foram reunidas nos vários livros que publicou. (...) Editora Sextante Arte, sentido de vida - Lilia Sampaio II. Encontro e realização "I don't choose my subjects or my style or my colors. They choose me and I am grateful to them. Nor do I ever decide to abandon them; I'm torn away from them." * Elaine de Kooning (1918-1989), Na Fundação Getúlio Vargas, todo um mundo novo surgiu para Fayga, não só nos segredos da gravura, mas também na história da arte com as aulas dadas por Anna Levy. Foi o primeiro encontro de Fayga com estilos, períodos, artistas e suas obras. Enfim, toda a existência e o desenvolvimento da arte através dos tempos. Fayga se recorda que Anna Levy era casada com um músico, um homem de mais ou menos uns 70 anos. "Um belo homem, parecendo o velho Goethe". Na vida de Fayga a música, "O que o homem criou de mais sublime", como ela mesma diz, é uma constante. Seus compositores amados, Bach, Mozart, Beethoven, Haendel, entre vários outros, estão sempre ao seu lado, proporcionando horas de deslumbramento. Em suas gravuras e aquarelas, a música se transfigura em belos espaços cromáticos e silêncios bem-vindos. (...) *"Não escolho minha temática, ou meu estilo ou minhas cores, eles me escolhem e sou-lhes grata por isso. Nem nunca sou eu quem decide abandoná-los; sou arrancada do meio deles". Fayga Ostrower - Wilson Coutinho Como aristocrata, tinha o senso normativo da dinastia. Conhecia o seu lugar na história da arte brasileira do século XX. "Já estou na História", ouvia-se dizer um dia, sem orgulho e afetação. Pensava-se, apenas, fazer uma retrospectiva de sua obra. Mas esse "já estou" tinha um tom dinástico. A palavra aristocrata é aqui tomada no sentido original grego (aristos, os melhores; Kratos - agir, proceder). Eram as melhores pessoas do povo, o melhor governante, o melhor caçador, etc. Eram os que melhor procediam e não a significação contemporânea de um grupo privilegiado, com dinheiro, terras e direito hereditário. As convenções meritórias da sociedade procuram de uma forma ou de outra encontrar algum espaço ou palavra para exprimir o vago que a arcaica palavra grega deixou. Uma dessas convenções é chamar alguém de "rei" se é excepcional no esporte ou na música popular. Para as mulheres a palavra ficou sendo "dama", destinada, geralmente, a atrizes. A palavra significa que a pessoa é extraordinária no seu trabalho, mas de certa maneira o excede pelo comportamento exemplar na sociedade ou pelo inexplicável carisma, geralmente as duas coisas juntas. Embora possa ser um tipo de convenção do mérito, como é hoje a palavra mestre para certos artistas, embora não sejam eles, geralmente, professores e nem deixem discípulos como no passado. A palavra visa atingir um lugar na escala social que suplanta o mero exercício, por melhor que ele seja feito, numa profissão. (...) Leia o texto na íntegra |